sábado, 18 de maio de 2013

O DIPLOMA E A CRIATIVIDADE





     O DIPLOMA E A CRIATIVIDADE


    O diploma nasceu em uma família aristocrática, estudou nas melhores escolas, brincou em fazendas, com cavalos muito bem tratados em cocheiras térmicas valendo mais que um carro. Estudou em universidade pública, onde apenas os filhos da aristocracia têm o direito de estudar, já que a massa, o povo brasileiro tem que desde cedo trabalhar para se sustentar e sustentar a família. A ilusão da universidade gratuita foge longe do verdadeiro povo que constrói o país e o patrimônio público. Alguns que ainda têm a chance de estudar pagam caro por um curso ou uma graduação que, muitas vezes, nem é bem aceita pelas panelas profissionais que geralmente são comandadas pelas mesmas aristocracias que comandam a massa popular.
    Mas o Diploma estudou muita coisa e tem uma visão ampla sobre o mundo. Lutou pelas classes sociais, foi comunista, foi expulso do país e até cantou músicas de protesto. Neste tempo de vida, acabou cansando e preferiu posar de intelectual e até conseguiu uma boquinha na política. Hoje existem panelas de diplomados que não deixam quem não seja um deles entrar para o “Hall de Fama”.
    Enquanto isso a Criatividade nascia na periferia, vivia em favelas, em bairros pobres, usando roupas e sapatos usados ou doados por algum abastado. A Criatividade, desde cedo, teve problemas com a verdade absoluta e com a inquisição escolar, que ditava o que ela deveria aprender, o que era história ou não, quem era o herói e quem era o vilão. Desconfiada, a Criatividade nunca acreditou em tudo o que ouviu e começou questionar.
    _ Não questione!- dizia a Educação.
    _ Não peque!- dizia a Religião.
    _ Seja um cidadão padrão!- dizia a Sociedade.
    Mas a Criatividade preferia questionar. Porque não questionar? Será que existe alguma coisa errada e ninguém quer dizer? Será que a Educação está ocultando algo que alguém acima da hierarquia não quer que transpareça? E o Pecado? Se tudo o que gostamos é pecado, porque Deus nos colocou as sensações? Porque sexo é pecado se é a única forma de nos perpetuar a espécie? Perpetuar até onde Deus acha que devemos ser perpétuos? Porque comer é pecado se existem milhares de pratos um melhor que o outro? Porque se irritar é pecado se existem tantos idiotas e insuportáveis neste mundo/ Porque o luxo é pecado se os maiores líderes religiosos do planeta estão sentados envoltos de riqueza, dando espaço para que a preguiça se manifeste? Afinal o que todos me escondem? Porque eu tenho que ser igual ao padrão colocado pela sociedade? Porque eu tenho que comer no “Mac Donald’s” e beber “Coca Cola”? Porque sou obrigado votar, se vivo num país democrata? Porque eu não ouço músicas falando de verdades do mundo e colocam pessoas falando de bundas, peitos e de sexo? Isto não é pecado?
    _ Mas é liberdade de expressão-diz a Cultura.
    _ Mas tem criança assistindo e se comportando igual-falou a Criatividade.
    _ É, isto é pecado!- vociferou a Religião.
    _ Mas não tem padre e pastor acusado de assédio e pedofilia?- perguntou a Criatividade.
    _ Faz parte do padrão do cidadão moderno-completou a Sociedade.
    Então a Criatividade saiu da periferia cheia de idéias que se combatiam e cada um dava uma resposta diferente das coisas que perguntava. Resolveu escrever, fazer música e colocar para o mundo aquilo que sentia, aquilo que era uma coisa real, dentro do artificial criado pela senhora das ilusões, a Mídia. Bateu de porta em porta procurando apoio para suas idéias e o que conseguia era apenas ser motivo de anedotas e risos pelas massas hipnotizadas pelo grande Baphomet.
    A Criatividade desanimou, cansou-se de correr atrás da verdade e encontrar somente a ilusão, que dizia:
    _ Deixa disso! Pare com isso! Isso não te levará a lugar nenhum. Acompanhe a onda. Seja humano e feliz, cultive a felicidade tapada com riquezas, glórias e ilusões, muitas ilusões.
    _ Sai da minha cola Ilusão maldita! Deixa eu e minha criatividade vencermos os caminhos tortuosos!
    _ A Mídia é minha amiga e você com essas idéias subversivas jamais irá publicar algo e se publicar ninguém vai fazer conta. Você não tem diploma. A diplomacia é que manda na sociedade. O Diploma manda na Educação, na Religião, na Política. Você não tem diploma, logo, não tem direito. Hoje pintores, músicos, escritores, escultores e outros artistas têm que estudar e ter o diploma, ao contrário, não são artistas. Os pintores estudam as grandes obras do passado e só conseguem fazer borrões que acreditam serem quadros e obras de arte. Músicos que estudam os virtuoses do passado e vão produzir músicas que o índio brincando na mata faz com um bambu. Escritores que escrevem para si mesmo, pois, somente ele sabe o que quis dizer para o seu ego. Escultores que cortam uma pedra no meio ou derretem um plástico e criam um universo paralelo. Aí, todos aplaudem, mesmo achando ridículo aplaudem, porque a mídia manda, a sociedade quer, a religião perdoa. É Cultura, é pessoa de diploma. E a Criatividade?
    Voltou morar na periferia, acorda cedo para trabalhar e fica o dia inteiro apertando dois botões, um na esquerda e outro na direita. A prensa desce e faz mais uma peça e no fim do dia fez milhões de peças mecanizadas e padrão, para encher o bolso do diplomado.
    Afinal, ele tem Diploma.

A DESCOBERTA DO ELIXIR DA VIDA


                           


                                      A DESCOBERTA DO ELIXIR DA VIDA


    Mohamed Hussein sempre foi um curioso, um cientista nato. Desde seus primeiros anos na escola sempre gostou de ciências e matemática. Cresceu entre as plataformas de petróleo e o deserto fervente, aprendendo com a família desde cedo que ali estava o tesouro mais precioso do Iraque. Hussein, como era conhecido na escola, formou-se em química e veio para o Brasil aperfeiçoar seus estudos na UNICAMP tornando-se um dos alunos mais aplicados nos estudos de química orgânica. Na época, suas teorias foram contestadas e ridicularizadas pelo corpo docente da universidade, mas ele não se deu por satisfeito.
    Em sua volta para o Iraque levou na bagagem todas suas experiências, com erros e acertos, preparando uma nova descoberta que mudaria o mundo. No avião ia pensando em sua teoria que colocaria em prática assim que chegasse em seu país. A teoria era simples:
    “De acordo com a física tudo que existe é energia e se houver um meio de conservar esta energia sem que ela sofra alterações podemos criar um ponto no tempo em que a mesma possa ser congelada e manipulada para que nada aconteça com ela. Nada modificaria, nada oxidaria, isto é, envelheceria podendo assim existir o elixir da vida. Uma substancia que sendo ingerida possa refazer todo o processo energético de um corpo tornando-o inalterável durante o tempo, ou seja, alguém que jamais envelheceria e jamais morreria”.
    Chegando ao Iraque, Mohamed procurou pelos cientistas das melhores universidades do país e mostrou suas teorias. Novamente foi motivo de riso e de descaso. Mas ele não se deu por vencido e foi pedir auxílio ao governo. 
    Havia no ministério do exército um homem chamado Abdul al Hazir que se interessou pelo assunto e resolveu conversar com a alta cúpula do governo. Depois de detalhar a idéia e a possível tentativa de transformar a teoria em realidade, colocou os pormenores que Mohamed não havia visto. Para Abdul aquele fato era mais que uma simples experiência, pois, quem tivesse de posses do Elixir da vida, seria o dono do mundo, já que tudo se transformaria e aquilo que se achava real e ortodoxo seria destruído para uma nova abordagem de mundo. Os que estivessem de posse do Elixir seriam deuses, respeitados por toda humanidade e temidos por aqueles que se achavam donos do poder.
    Depois de expor as teorias ao governo e estas serem aprovadas chegou a hora de criar na prática. Mohamed empolgado pediu a participação de biólogos, químicos, físicos, matemáticos e especialistas em programas de computadores. O primeiro passo era neutralizar a energia que um homem gasta e suas mudanças. A equipe começou mapeando todo o código genético humano e suas funções no organismo, suas ações, suas perdas, suas mutações. Com todo código genético nas mãos agora o próximo passo era através da química conservar as energias do corpo intactas.
    Foram então descobertas formulas químicas capazes de reduzir a um nível quase zero o teor de oxidação corporal. Criaram um alimento químico que eliminava o teor de oxidação e o desgaste de energias pelas células do corpo. Era um energético capaz de gerar energia através dos próprios movimentos celulares. Quanto mais calor e movimento corporal mais energia era recapturada pelo organismo criando assim um sistema “bio feedback”. 
    O alimento químico foi testado em alguns soldados iraquianos e o resultado foi grande. Enquanto eles praticavam algumas manobras de guerra se tornavam quase indestrutíveis devido à tensão e ao esforço criando pessoas muito mais fortes. Fortes a ponto de aumentarem a massa muscular e a força, a mente trabalhava com muito mais clareza e velocidade com a vantagem ainda de não esquecer mais o que havia memorizado, ou seja, o que  Mohamed criou comparava-se quase a um deus, já que era imortal enquanto estivesse tomando o elixir químico.
    O tempo foi passando e os efeitos colaterais começaram surgir. Havia pessoas com mutações em sua genética e pessoas que desenvolveram excessivamente os músculos transformando-se em um monte de carne disforme, mesmo assim tinham uma mente brilhante e viam que o futuro daquilo seria a sede de poder e que o que eles se tornaram não assustaria aqueles que pensavam na eternidade do poder, de querer a invencibilidade de todas as intempéries do mundo.
    As experiências iraquianas foram descobertas pelos espiões americanos que estavam ali instalados, porém, a transcrição das idéias chegou deturpada aos ouvidos do governo americano, que decidiu se apoderar da nova descoberta, acreditando que com o invento poderiam tomar o mundo definitivamente e que criariam uma nova humanidade, uma humanidade pura, sem defeitos, sem doenças e com uma mentalidade elevada.
    Decidiram então entrar no Iraque, com o pretexto de estar combatendo o terrorismo, e ficaram de posse do elixir da vida. Mesmo com a advertência dos cientistas iraquianos e com a mostra de pessoas que tinham tomado o elixir, eles resolveram produzir em larga escala e distribuir em todo território americano como se fosse um energético. O povo todo tomou, com exceção de alguns desconfiados. Logo havia empresas clandestinas que desenvolveram outras marcas do elixir e distribuíram no mundo todo. Começou então surgir pessoas disformes em todo o mundo e o feitiço virou contra os feiticeiros, que ao invés de descobrirem o elixir da vida, criaram uma nova raça de super humanos, que tinham grande potencial mental, mas seu corpo se deteriorava e se transformava em uma grande ameba.
    Os cientistas de todo mundo se uniram para modificar a formula do elixir, mas ao invés de melhora-lo, acabaram o destruindo. Os que foram inoculados com a nova droga, alem de ficarem disformes, ficaram com seus piores desejos aflorados. Havia agora muita violência, muito sexo explícito, canibalismo e selvageria. Com o tempo os que haviam tomado o elixir modificado criaram chifres. Este novo adorno era muito apreciado por todos. Uma mulher não era bonita ou sexy se não tivesse um bom par de chifres. Quanto maior melhor.
    Com novas modificações, os humanos chifrudos, que eram a maioria e perseguiam a velha raça de humanos desprezíveis e fracos, criaram rabo. O rabo era pontudo e o charme era andar com ele erguido como se fosse uma “Pantera Cor de Rosa”. O canibalismo aumentou e os últimos humanos da velha raça foram comidos...Digo extintos. 
    A última vontade daquela gente era voar e os cientistas não negaram seus esforços para modificar o elixir e transforma-lo em uma nova formula. Depois de muitas pesquisas, eles conseguiram o que queriam e os novos humanos começaram a nascer com asas, muito parecidas com as dos morcegos. Agora o novo estava pronto, porem já havia destruído a um terço da Terra, ou seja, para se criar o elixir, foram devastadas florestas inteiras, rios foram poluídos, o ar foi transformado numa imensa nuvem preta de gases pesados. Mas os novos humanos adoravam aquele clima e quanto mais respiravam aquele ar mais destrutivos e irados ficavam. Já não existia uma lei contra as milhares de mortes que aconteciam. O mais forte comia o mais fraco, estupros eram normais, o esporte predileto era a guerra e os vencidos viravam comida dos vitoriosos.
    Esta humanidade nova foi transformando-se gradativamente até se matarem uns aos outros e destruírem todo o planeta. E tudo começou com a busca do elixir da vida. Dizem que as primeiras experiências de Mohamed foram muito criativas. Alguém já ouviu falar de alimentos transgênicos? Clonagem? Mudanças no DNA humano? 
    Pois é....parece que foi tudo invenção dele!!! Onde será que está o Elixir da vida? Em algum refrigerante famoso? Ou algum alimento talvez...