quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O ESPÍRITO DA FLORESTA

     

   
 O ESPÍRITO DA FLORESTA

    Sebastião João era um templário que não deu certo. Queria ser uma pessoa importante, ou pelo menos, frequentar a corte. Com a glória inicial de Cristóvão Colombo e depois, de vários portugueses que vieram se aventurar do outro lado do oceano, resolveu também tentar a sorte.
    Vendeu o que tinha de herança da família. Emprestou altas somas de alguns judeus conhecidos, rezou e pediu auxílio aos jesuítas. Então, montou a sua nau com mantimentos, marinheiros, alguns aventureiros, militares, mercenários e religiosos. Contratou também alguns ciganos, uns piratas ingleses e uns primos holandeses. Veio pelo mar, desconhecido para ele, marinheiro de primeira viagem. A maioria do tempo em alto mar passou mal, com enjoo, aguentando as risadas e piadas dos outros que já eram acostumados com o mar. Mas, enfim chegaram.
  Em terra firme foi muito pelo contrário. Sebastião joão era destemido. Se embrenhava pelo mato como se já morasse ali, enquanto os outros temiam. Temiam índios, cobras, mosquitos, e as lendas já arraigadas, sobre a floresta. 
  A verdade é que em pouco tempo, de trinta e três pessoas sobraram apenas sete. Alguns morreram de febre, outros por ataques de índios, outros comidos pelos índios, alguns com veneno de cobra e outros ainda, com medo da floresta.
  Um dia, saíram os sete para uma bandeira pelo interior da Capitania. Fazia muito calor e todos estavam exaustos de tanto fazer picadas na poderosa floresta. De repente ouviram vozes. Pareciam estar bem perto, mas, ao mesmo tempo que se ouvia uma conversa perto, ouvia-se também longe. Não dava para entender o que falavam. Parecia que estavam escondidos nas copas das árvores. Os homens olhavam  e não viam absolutamente nada. 
  Seriam espíritos da floresta? Começaram pensar alguns dos homens. Até que algum deles gritou.
    _Ah!
    Com grande assombro ouviram uma grande quantidade de respostas.
    _Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
    Parecia que havia muitos. Os portugueses perceberam que talvez não sairiam vivos dali. Três correram sem rumo para dentro da floresta e acabaram caindo num precipício escondido pelo emaranhamento de mato. Dos quatro que sobraram , um resolveu tentar um diálogo, gritando bem alto.
    _Eu me rendo!
    Em resposta, ouviu a mesma coisa.
   _Eu me rendo!
   Assustado ainda mais, por ouvir que eles podiam falar sua língua  resolveu dar um tiro. Foi quando saiu uma grande quantidade de vultos. Pareciam pássaros, mas poderiam ser demônios. Demônios da floresta. 
    A coisa ficou pior. O tiro acertou um cacho de abelhas furiosas que desceram sobre eles. O único que conseguiu escapar com apenas umas ferroadas foi Sebastião João, pulando num rio. Os outros não tiveram a mesma sorte. Imagine o tamanho do cacho de abelhas que existia ali, naquele lugar que ficou por muitos anos sem ninguém jamais ter mexido. 
    E foi assim que morreram estes desbravadores, ficando somente Sebastião João. Saiu do rio e viu seus amigos inchados e mortos de tantas ferroadas. Sentou-se e chorou. Estava vivo ou morto? Cansado, imaginou a vida na corte e a distância que se encontrava de tudo. 
    Então aconteceu o inesperado. Um lindo pássaro  pousou bem perto dele. Parecia que queria ver aquele bicho tão esquisito que surgiu no meio do mato. Sebastião João encantou-se com o pássaro. Era um verde muito bonito, com mesclas de amarelo, azul e vermelho. Sem pensar, falou com o pássaro.
    _Tu és o único amigo que tenho agora.
    Para seu espanto, o pássaro repetiu.
    _Único amigo.
  Então percebeu que tudo que falava ao pássaro, ele retornava. Ficou horas se divertindo com as repetições do novo amigo. E riu. Riu muito, Gargalhou. Porque descobriu que o temido espírito da floresta era na verdade um pássaro dócil, bonito e divertido.
   Um dos primeiros nomes do Brasil foi "Terra dos Papagaios", porque aqui se encontrou uma enorme variedade desta ave magnífica.     

Um comentário:

  1. Olá, bom dia.

    Hoje, é sábado. Na minha Sampa, estamos na Primavera. Tempo de frio e ventos, tudo juntos e misturados. Mas, certamente não falta o aquecimento humano em quaisquer lugar, onde encontra-se uma Alma, amiga e admirável.
    Por isso, desejo-te, um fim de semana bom. Com alegrias e contentamentos mil.
    Além do meu Sentimento de Amizade. Saúde e Paz. Estou te esperando, para falarmos do " tempo", lá na minha página.
    Um abraço, do tamanho dos seus sonhos.

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